Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

Dos dias [a piorar]

O C. trabalha neste sítio há mais de dez anos. Tem duas filhas e um casamento na corda bamba. Há uns anos, não aguentou os problemas pessoais e foi-se abaixo. Teve aquilo que -agora tão na moda - era totalmente inaceitável num contexto profissional: um esgotamento. Este lugar, para onde ele vem todos os dias fazer aquilo que melhor sabe -e olhem que o faz bastante bem - dá-lhe a estabilidade necessária quando em casa ou na vida as coisas não lhe correm tão bem. É, possivelmente, a única coisa equilibrada que tem na vida.

Ontem, foi chamado. Para lhe dizerem que vão propor-lhe uma rescisão. Que vai voltar para casa sem saber como alimentar as filhas, comprar-lhes material escolar, roupas novas ou o que quer que seja de que precisem. Sobretudo numa altura em que o mercado está mais parado que a água de um pântano. Sobretudo numa altura que não deve dar-lhe alternativas durante os próximos dois anos.

E eu, que olho para ele durante o dia todo, ainda não sei o que pensar. Queria ter palavras sábias e reconfortantes para lhe dizer mas o meu coração aperta-se e não sei. Nem sei como posso ajudar.

E isso deixa-me com uma sensação de impotência que está a afectar-me gravemente.

2 comentários:

  1. Infelizmente penso que este ano vai haver muitos casos semelhantes, e não há nada que se diga que vá ajudar muito,
    bjo

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  2. Situação complicadíssima... mas como diz a anf, vão ser aos nolhos próximos tempos. É fazer figas para que não sejamos nós :/

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